Vamos falar de Estrelas Além do Tempo

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Vamos falar de Estrelas Além do Tempo

Esse é um filme que entrou em diversas categorias do Oscar 2016 (confira AQUI a lista dos indicados), e que tem sido muito comentado nas rodas. Estrelas Além do Tempo é baseado no livro escrito por Margot Lee Shetterly e foi dirigido por Theodore Melfi, e conta basicamente a historia de mulheres, e nesse caso especifico de três mulheres negras que lutavam não só por reconhecimento profissional no ambiente cientifico que era dominado pelos homens (brancos), como também lutavam contra o preconceito pela cor de suas peles, época de segregação racial. Esse filme alcançou a marca de 119,5 milhões de dólares nos EUA

A historia é ambientada entre a década de 50 e 60, durante a corrida espacial, um momento que a União Soviética tentava sair a frente dos Estados Unidos da América, e sim, por alguns momentos até conseguiu, já que lançou satélites antes. A tecnologia ainda estava em desenvolvimento, então os maiores talentos eram os gênios, também chamados de computadores humanos, e que para grande controvérsia da época, a principal equipe era composta por mulheres, e da raça negra. E aqui mostra o projeto Mercury, um dos mais importantes da NASA.

Nesse filme é possível conhecer a historia real de Katherine G. Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson.

Legenda: Katherine G. Johnson

Começou a trabalhar para a NASA em 1953, e realizou importantes cálculos de trajetórias de voos espaciais. Seu currículo reúne o projeto Mercury, que levou o homem pela primeira vez ao espaço, e Apollo 11, responsável por enviar o primeiro homem à lua.

Legenda: Dorothy Vaughan

Matemática estadunidense, que trabalhou na National Advisory Committee for Aeronautics (NACA), a agência predecessora da NASA. Em 1949, ela foi a primeira mulher negra a ser promovida chefe de departamento na NACA.

Legenda: Mary Jackson

Matemática e Engenheira Aeroespacial

 

Apesar de o filme ter como centro a história de Katherine Johnson, uma matemática astro desde a infância, também mostra os dramas de Dorothy Vaughan que precisa se adaptar com a chegada de um computador da IBM (que poderia tirar seu emprego futuramente)  e Mary Jackson que quer estudar para se tornar uma engenheira, e um drama que une as três, o preconceito racial e ainda por serem mulheres.

É um filme que ainda traz convidados de peso, como Kevin Costner, Kirsten Dunst e Jim Parsons

 

O que realmente encantou o mundo todo, é que esse não é um filme de vitimismo focado no preconceito e sofrimento, ele está mais para superação, pois a cada derrota enfrentada pelas protagonistas, podemos notar que elas se levantam e continuam a caminhar.

E por isso vamos trazer na integra uma entrevista que a atriz Traji P. Henson, que dá vida a Katherin Johnson concedeu a revista Vogue:

Já tinha ouvido falar dessa história?

Não sabia nada sobre Katherine ou nenhuma dessas mulheres maravilhosas trabalhando na NASA. Achei que tudo era feito por homens. Nem sabia que elas existiam  na NASA.

Como descreveria sua personagem?

Katherine é uma mulher muito especial. Ela é um gênio: se formou no ensino médio aos 14 anos, na faculdade aos 18. Então ela tinha de ser um pouco mais madura do que faria supor sua idade. Tenho certeza de que deve ter sido bem estranho ser uma garota crescendo no meio de gente muito mais velha. Então ela é quieta – bem mais do que eu! [Risos.] E ela está sempre calculando, pensando. Tudo para ela é interno, sempre pensando.

 

O que chamou atenção no roteiro?

Primeiro, fiquei chocada de não sabermos nada sobre essas mulheres. Não apenas as mulheres negras, as mulheres e ponto. Senti uma forte conexão… Achei que o roteiro tinha caído no meu colo por alguma razão, porque é importante que esta história seja contada. Segundo, quando comecei a ler sobre ela, não conseguia mais parar. A primeira coisa é que queria conhecê-la. Temos de salvar as crianças, porque da maneira como as mídias sociais estão funcionando, não oferecemos nenhuma aspiração a elas. As strippers, as twerkers, a coisa do fique rico rapidamente no Instagram. Não sabia que podia sonhar assim quando era pequena. Esta história é muito importante. Temos de incluir essas mulheres na história, que é onde devem estar.

Você teve oportunidade de conhecer Katherine Johnson pessoalmente. Como foi?

Fiquei de boca aberta. Senti que estava na presença da grandeza. Há algo de rainha nela, até os dias de hoje. Ela é muito humilde, não leva o crédito por tudo. Ela sempre diz “nós”. Mesmo quando apontam que seus cálculos foram fundamentais para John Glenn voltar com segurança depois de orbitar a Terra, ou na Apollo 13, ela diz “nós”. Ela não está nem no livro nem no filme Apollo 13, isso me deixa magoada. Ela diz: Ah, eles só precisavam de um “computador” para checar os números do computador, a máquina. E eu: Eles recrutaram você especificamente, dona! [Risos.] John Glenn não ia entrar na nave sem seus cálculos! Mas, quando ela conta, diz “nós”, e isso diz muito sobre quem é.

É impressionante pensar que todos os cálculos eram feitos por pessoas. Ela falou como foi quando os computadores, as máquinas, chegaram?

Ela contou que, quando os computadores vieram, precisaram dos computadores humanos por um tempo ainda. Demorou um tempo para confiarem nas máquinas. Ela falava mais sobre como quando estava na escola, tinha um professor a quem sempre fazia perguntas. E ele sabia que ela era a mais inteligente. E dizia: “Estou cansado de ouvir você fazendo perguntas para as quais sei que tem a resposta”. E ela respondia: “Eu sei, mas os outros estudantes não sabem”. Então quero que eles saibam como eu. Ela não queria manter sua sabedoria só para si, queria que todos tivessem esse talento. Adoraria que fosse minha tutora, porque ela ensinou às crianças como aprender. Ela ensinava não apenas a resolver o problema, mas como processar o problema, como entender o problema para poder solucioná-lo. Se ela tivesse sido minha professora de matemática, podia ter me dado melhor na vida [Risos]. Porque eu era péssima. Eu repeti em cálculo. E aqui estou interpretando uma matemática. A vida é engraçada.

O que acha que o filme pode transmitir ao público de hoje, especialmente agora que se discute tanto a presença das mulheres e de negros no cinema?

Acho que a beleza dessa história é que, sim, sabemos em que época se passa e, sim, conhecemos a feiura que acontecia então. E o que acontece hoje em dia nos mostra que caminhamos um bocado, mas não o suficiente. Este filme é muito importante. E gosto como a história foi contada, como isso era algo que acontecia nesse ambiente. E quando você termina de assistir, percebe que realmente não deveria importar a cor da sua pele, sua raça, seu sexo, nada. O que importa é: você consegue dar conta do trabalho? No fim das contas, se todos temos um objetivo, não deveria importar como é sua aparência, como se veste, qual seu tamanho, qual a cor da sua pele ou com quem você faz sexo. Você consegue fazer o trabalho? Ponto. E é assim que o mundo deveria funcionar. Gostaria que fosse tão simples [Risos].

Mas vê Hollywood mudando, com a série Empire, que você faz, por exemplo?

Empire provou muita coisa. Por exemplo, que era um mito que qualquer coisa relacionada a afro-americanos não ia bem no exterior. Achava difícil de acreditar, especialmente com o Twitter. Tenho gente tuitando da Irlanda, da Rússia, da Grécia, então me conhecem lá. Hollywood diz e todo o mundo acredita. Aí começam a assistir ilegalmente, e todo o mundo percebe que tem dinheiro ali.

 

E isso vem mudando com Scandal, How to Get Away with Murder…

As pessoas querem ver bons trabalhos. No teatro tem de tudo. O elenco pode ser verde, com chifres de unicórnio. Se você me der uma experiência catártica, vou querer pagar pelo ingresso. Nunca na minha carreira disse: “Ah, a indústria nos trata assim e assado”. Porque, se você faz isso o tempo inteiro, o universo vai ouvir, e você nunca vai trabalhar. Sabemos que há muito trabalho a fazer. Mas não vou ficar chorando as mágoas. Vou trabalhar. Tive uma carreira péssima? Não! Não mesmo. Não vou ficar reclamando. Nem sempre fui a protagonista. Deveria ter sido? Provavelmente não. Demora para conquistar seu público. Muita gente reclama sem ter por quê.

 

Mas qual a importância de fazer um filme com três mulheres como protagonistas com vidas profissionais?

Todos sabemos que é importante. Esses filmes são raros. Quantas vezes viu um filme assim no último ano? A questão principal e espinhosa, porém, é: vai dar dinheiro? Pode ser um grande filme, mas vai fazer dinheiro?

 

Vocês se divertiram no set?

Sim. Em qualquer set com a Taraji, vai ter risada. São muitas horas para ficar sério. E quando você está lidando com um assunto pesado, ajuda. No fim do dia, você não quer se sentir sugado. Tem ator que precisa ficar no personagem. Isso me deixaria louca! [Risos] Especialmente Katherine. Porque ela… Eu preciso deixar livre nos intervalos. Ela nem bebe! Fale de opostos! E vocês conhecem a Cookie, então sabem como é diferente. Essa, se tivesse vivido nos anos 1960, teria sido enforcada numa árvore, com aquela boca grande!

Gostou?

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Confira AQUI o trailer e se apaixone!

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